Sedação Consciente: mais conforto para o paciente

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Hoje, proporcionar aos pacientes mais conforto durante os procedimentos odontológicos significa estar atento as no­vas técnicas, adotando em seu consultório um diferencial positivo no tratamento da saúde bucal e com isso diminuir o medo, o estresse e a ansiedade durante o procedimento, atuan­do indiretamente na prevenção, uma vez que se sentindo mais confortável com o profissional, o paciente retorna com maior frequência às consultas de revisão.

Neste contexto, uma das práticas utilizadas é a sedação cons­ciente com óxido nitroso e oxigênio que se trata de uma técnica de sedação leve, segura e passível de titulação. Com uma de­pressão mínima do nível de consciência, a sedação por meio do óxido nitroso permite que o paciente mantenha a respiração es­pontânea, respondendo aos estímulos físicos e verbais e que se restabeleça imediatamente após a finalização da administração.

Os doutores José Reynaldo Figueiredo, Danielle Monsores Viei­ra Ferreira e Marcelo Diniz de Pinho utilizam o procedimento e explicam: "Esta sedação é possível porque o óxido nitroso é um gás anestésico de menor potência, de absorção e eliminação rá­pida, que controla a ansiedade e proporciona uma sensação de relaxamento e conforto ao paciente".

Para os cirurgiões-dentistas, a técnica chegou para facilitar o tra­tamento odontológico nos pacientes mais ansiosos e com trau­mas de cuidados anteriores. Com isso, os próprios profissionais conseguem realizar seus procedimentos com calma, critério e cautela, não tendo o medo do paciente como pressão para ante­cipar o término da sessão.

O óxido nitroso é um gás incolor, com odor e sabor agradáveis, não irritante, é pouco solúvel no sangue, pois não sofre meta­bolização no organismo e atinge rápida concentração. Também apresenta início e término dos efeitos extremamente rápidos após a remoção do gás.

"Nitidamente, a utilização da sedação com óxido nitroso em pessoas com medo, ansiosas ou assustadas com o barulho, fa­cilita a abordagem do tratamento odontológico, principalmente a anestesia, devido ao estado de conforto e relaxamento, permi­tindo o tratamento sem restrições", acrescenta a Dra. Danielle, especialista em Dentística pelo SOESP, especialista em Estética Dental pela São Leopoldo Mandic, especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais pelo APCD e Mestre em Ciências da Saúde pela UNICSUL.

Indicações

De acordo com os especialistas, o óxido nitroso não apresenta efeitos adversos sobre o sistema cardiovascular, respiratório, fígado, rim e cérebro e, portanto, pode ser utilizado, inclusive, em pacientes que requerem cuidados especiais, como cardio­patas, diabéticos e hipertensos. "Adultos, crianças, idosos ou pessoas que necessitem de cuidados especiais podem utilizar esta sedação para controlar o medo, a ansiedade e até mesmo o comportamento, sendo indicado especialmente para porta­dores de deficiências", acrescentam os doutores.

A maioria dos tratamentos odontológicos, em diversas es­pecialidades, pode ser executada com a sedação com óxido nitroso, como cirurgias, endodontias, procedimentos longos e outros.

Entretanto, algumas práticas odontológicas são otimizadas com uso da sedação consciente, como os tratamentos em crianças e em pacientes com alteração de comportamento, as cirurgias e os procedimentos longos e complexos.

Contraindicações

São poucos os casos em que o óxido nitroso não é aconselhá­vel. Dentre eles, em pacientes com alterações de personalidade, crianças com problemas de conduta, claustrofóbicos, respirado­res bucais e pacientes com obstruções das vias respiratórias ou com doença pulmonar obstrutiva crônica.

O histórico do paciente e a associação do óxido nitroso com ou­tras drogas devem receber um cuidado constante do profissional. "O cirurgião-dentista deve saber as drogas utilizadas e seu po­tencial para produzir efeitos adversos e ainda ter o conhecimento do estado físico e da história do paciente, para estar apto a exer­cer a técnica de sedação com óxido nitroso, para que em caso de emergência o quadro seja revertido rapidamente", alerta o Dr. José Reynaldo, especialista em Odontopediatria pela FO-UNICAMP, especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais pelo CFO, mestre em Odontologia Legal e Deontologia pela FOUSP e mestre em Ciências Odontológicas pela FOUSP.

Habilitação

Para utilizar no consultório a técnica da sedação consciente, os dentistas devem se habilitar em um curso específico, onde te­rão a oportunidade de aprender os conceitos de dor e ansieda­de, avaliação física e psicológica do paciente, monitoramento durante a sedação, emergências médicas, além de treinamento em suporte básico de vida.

No Brasil, a Lei nº. 5081, de 24 de agosto de 1966, que regula­menta o exercício da profissão odontológica, em seu artigo 6º, item VI, autoriza o cirurgião-dentista a aplicar a analgesia, desde que o profissional esteja comprovadamente habilitado e a mes­ma seja indicada como meio eficaz para o tratamento. O uso do óxido nitroso como forma de analgesia em consultório odonto­lógico e os cursos de habilitação foram disciplinados na resolu­ção 51/2004 do Conselho Federal de Odontologia.

Tendência mercadológica

O mercado nacional ainda é pouco explorado pelos fabricantes de aparelhos para sedação com óxido nitroso em consultórios odon­tológicos e a demanda por parte dos profissionais ainda é pequena, entretanto, de acordo com os profissionais que já os utilizam, esse contexto vem passando por mudanças. "A pequena demanda nacional não permite uma disputa entre os fabricantes que tornem os equipamentos com preços competitivos. Mas, aos poucos com mais informação e principalmente com mais formação de profis­sionais habilitados, a tendência é a melhora desse quadro. Desde a aprovação da prática pelo CFO, a queda de preços dos gases utili­zados é real e novos fabricantes começam a aparecer no mercado", acrescenta o Dr. Reynaldo.

Segundo ele, as máscaras utilizadas na aplicação dos gases atual­mente são bastante confortáveis, com tamanhos ajustáveis, colori­das, leves e muitas delas têm aroma agradável, o que favorece a aceitação do paciente, principalmente as crianças.

Monitoramento constante

De acordo com o Dr. Marcelo, que é especialista em cirurgia buco­maxilofacial, habilitado em sedação com óxido nitroso, coordenador do projeto social "Vila Maria um caso de amor" e membro da Câ­mara Técnica de especialidades do CROSP, como todos os sedativos podem produzir depressão da respiração, é necessário o constante monitoramento do paciente, com a observação da respiração, oximetria de pulso, monitoramento cardíaco e controle da pressão arterial.

Para o dentista, diversos tipos de monitores podem ser utilizados durante a sedação consciente, entre eles os mais comuns são: os oxímetros de pulso, aparelhos de pressão, estetoscópios precordiais e termômetros. "O oxímetro de pulso é um instrumento fechado que monitora de modo não invasivo a saturação de oxigênio das molé­culas de hemoglobina no sangue do paciente e o ritmo cardíaco do paciente", acrescenta.

Pacientes com necessidades especiais precisam de atenção redobrada
O Dr. Marcelo Diniz de Pinho, apto na utilização da sedação consciente, destaca o uso do procedimento em pacientes com ne­cessidades especiais que necessitam de atenção redobrada, como os portadores de doenças cardiovasculares, neurovasculares, hepáticas, convulsivas, alérgicas e diabéticos compensados. "A técnica pode ser considerada como método farmacológico de condicionamento em pacientes com necessidades especiais", afirma.

No entanto, o profissional deve estar sempre atento. "Em pacientes com necessidades especiais e com dificuldade de comunica­ção (devido aos problemas neurológicos) temos que avaliar bem a indicação da técnica. Precisamos da colaboração do paciente e tomar o devido cuidado com interações medicamentosas de determinados fármacos, principalmente depressores do sistema nervoso central, que podem ser potencializados pela sedação; e ao invés de sedar pode levar o paciente a um estágio mais pro­fundo e causar uma depressão no sistema respiratório e cardíaco", alerta o Dr. Marcelo.

O dentista cita alguns casos que considera a sedação consciente inapropriada: em diabéticos descompensados, usuários de ben­zodiazepínicos, coagulopatias, infecção sistêmica e respiratória alta, temperatura superior a 38ºC, obesidade severa, asmáticos, anêmicos e pacientes com transtornos psiquiátricos.

Passo-a-passo da sedação consciente

O Dr. Marcelo Diniz de Pinho explica detalhadamente os passos para a prática da sedação consciente.

Anamnese completa e detalhada

Traçar o perfil psicológico do paciente

Explicar ao paciente ou responsável o procedimento de sedação

Autorização para o procedimento assinada

Remoção de anéis, pulseiras, relógios e esmaltes

Sinais vitais / Teste de Trieger inicial (teste psicomotor)

Teste de apneia

Auscultação cardíaca e pulmonar

Ficha clínica

Familiarizar o paciente com o procedimento - adaptação da máscara nasal

Colocação de oxímetro de pulso e monitoramento cardíaco no paciente

Mensuração da P.A.

Colocação de máscara nasal e orientação para não conversar e manter respiração nasal

Determinar o total de litros por minuto de O2

Adicionar 10% ou 1 L de N2 O a cada minuto até atingir o nível ideal de sedação (fluxo constante de O2)

Manter o monitoramento

Checar os sinais vitais no transoperatório

Finalizar com O2 puro por cinco minutos

Teste de Trieger pós-sedação

Checar os sinais vitais no pós-operatório

Dispensar o paciente com acompanhante

Um pouco de história
O óxido nitroso foi descoberto pelo pesquisador Joseph Priestley por volta de 1770. Entretanto, os primeiros rela­tos de inalação do óxido nitroso foram descritos em 1800 por Humphrey Davy. Porém, durante quatro décadas, o uso do óxido nitroso foi apenas recreacional. Horace Wells, um dentista americano, foi o primeiro a utilizar o gás em procedimentos odontológicos, em 1844.

Em 1868, Edmunds Andrews, preocupado com a oxige­nização do paciente, sugeriu a mistura pré-dosada de gases, misturando 80% de óxido nitroso e 20% de oxigê­nio. Neste mesmo ano, Paul Bert desenvolveu o primeiro aparelho para administrar o óxido nitroso e o oxigênio no paciente, começando assim, a ser utilizado com mais frequência e mais segurança. A técnica de sedação cons­ciente com óxido nitroso foi idealizada e difundida pelo professor Harry Langa, em 1949, na qual a Odontologia foi a principal área de saúde a utilizar este procedimento.

Fonte: Odonto Magazine. Disponível em: http://www.odontomagazine.com.br/2011-06-sedacao-consciente-mais-conforto-para-o-paciente-10870. Acesso em: 03/08/2016.