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Um novo conceito de anatomia óptica

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Um novo conceito de anatomia óptica

Já é opinião difusa e consolidada que o papel da fotografia clínica não deve se limitar à simples, embora fundamental, função de documentação, mas que pode integrar com eficácia os processos diagnósticos.

Isso porque a medicina nasce da observação da realidade e dos fenômenos que ela nos oferece, e nela fundamentalmente consiste, e a imagem fotográfica é um meio muito eficaz para exercitar a capacidade de observação e, portanto, de diagnóstico.

A fotografia é um meio diagnóstico porque permite comprimir e dilatar o tempo e o espaço, e a finalidade deste trabalho é mostrar como é possível valorizar ainda mais essa função de análise e diagnóstico.

Apesar da difusão cada vez maior do meio fotográfico, estamos convencidos de que ele nem sempre é utilizado segundo critérios científicos; pelo contrário, achamos que raramente se realiza essa condição na prática. Isso acontece porque a abordagem atual à fotografia, assim como a cultura da cor na Odontologia, baseia-se historicamente em uma concepção mais artística do que científica.

Tendo em vista os atuais conhecimentos, suportados por publicações recentes, acreditamos que seja necessário rever a abordagem tanto da fotografia quanto do fenômeno cor e de seu glossário, aspectos grave e longamente subvalorizados e não reconhecidos. Na esteira dessa evolução científica necessária, foi recentemente proposta uma nova filosofia operacional: a Fotografia Baseada em Evidências Científicas (Evidence Based Dentistry Photography – EBDP), que enfatiza o valor e a função diagnóstica da imagem fotográfica, permitindo utilizar a câmera digital como um instrumento de mensuração – de altíssima precisão – dos dados colorimétricos.

Mas é necessário ir além: neste trabalho mostraremos como a imagem fotográfica pode se tornar um instrumento ideal para a compreensão das características anatômico-estruturais dos dentes e de como elas estão relacionadas ao comportamento óptico da matéria dental. A forte dependência entre esses dois aspectos possibilitou a formulação e a definição de um novo conceito: aquele da “anatomia óptica” do dente.

Por que “anatomia óptica”? O primeiro termo é para enfatizar o papel das características estruturais – a propósito, anatômicas –, relacionado ao segundo, para destacar o papel da radiação luminosa na gênese das percepções estéticas. A diferença com a exposição tradicional das características ópticas baseada nas “dimensões da cor” reside, consequentemente, na importância dada à interação entre estrutura dental e radiação luminosa, bem reconhecíveis e analisáveis mediante imagem fotográfica.

Em substância, a anatomia óptica obriga o clínico a focalizar sua atenção não mais na percepção da cor, fenômeno aleatório subjetivo e evasivo, mas nas características da matéria e da radiação luminosa que aquelas mesmas percepções geraram.

É, em outros termos, uma mudança radical de perspectiva; de uma abordagem perceptivo-artística tradicional a outra científico-realística moderna.

A anatomia óptica não é abstração teórica ou puro exercício de estilo, mas um instrumento prático para analisar a anatomia dental, compreender as lógicas e, consequentemente, administrar as dinâmicas de extratificação das restaurações. Somente conhecendo a complexidade óptico-estrutural do dente é possível pensar em reproduzir, mesmo parcialmente, suas características nas restaurações.

O objetivo deste trabalho é evidenciar as correlações entre fenômenos ópticos e estrutura dental e mostrar que a imagem fotográfica é o meio ideal para explorar e compreender essas interações.

fonte: Dentista Hoje, escrita por Pasquale Loiacono
imagem retirada de http://www.dentistahoje.com.br/um-novo-conceito-de-anatomia-optica/