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Reosseointegração: existe mesmo?

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Reosseointegração: existe mesmo?

Quando optamos pelo tratamento cirúrgico (abertura de retalho e acesso direto ao implante) de uma peri-implantite, o primeiro passo é definir se o implante tem condições de permanecer na boca ou se deve ser removido. Em resumo, quando mais de dois terços do comprimento do implante já sofreram reabsorção óssea, este implante deve ser removido. Nas demais situações, pode-se realizar um tratamento cirúrgico previsível, que venha a manter o implante na boca em condições de saúde. Um desses tratamentos são os enxertos ósseos e as membranas usados na tentativa de ganhar novamente o que foi perdido. Chamamos isso de regeneração óssea guiada para obter a reosseointegração.

A reosseointegração é um fenômeno que ocorre no implante após o tratamento da doença peri-implantar. Na verdade, após a terapia, o que se deseja é que o osso neoformado se osseointegre novamente nas roscas do implante que foram descontaminadas, reproduzindo a situação que havia antes da doença peri-implantar. Seria o mesmo raciocínio que fazemos quando executamos uma regeneração tecidual guiada em Periodontia. Entretanto, assim como nos dentes naturais, em Implantodontia esta regeneração também é difícil de ocorrer.

Após a descontaminação total das superfícies dos implantes, a terapia cirúrgica poderá ser dada como concluída, uma vez que a infecção foi removida. Entretanto, existem estudos que conseguiram demonstrar algum potencial de reosseointegração em implantes que tiveram peri-implantite e foram adequadamente tratados. Diversas técnicas foram utilizadas para este fim, mas as que mais alcançaram sucesso foram aquelas que se utilizaram de regeneração óssea guiada.

Contudo, em se tratando de implantes, as superfícies dos mesmos também podem ter influência neste processo. Parece haver uma concordância entre os autores no que diz respeito às superfícies usinadas, que possuem baixa taxa de reosseointegração, em comparação com superfícies tratadas, que respondem melhor a terapia com enxertos ósseos, possibilitando, talvez, uma reosseointegração.

Outro aspecto a ser considerado na terapia são os agentes químicos que aplicamos nos implantes antes de colocarmos o enxerto ósseo. O soro fisiológico, ácido cítrico, peróxido de hidrogênio e o digluconato de clorexidine, que são utilizados como agentes descontaminantes, só tiveram a sua ação relacionada com a reosseointegração quando associados a procedimentos de regeneração óssea guiada, ou seja: somente a descontaminação química não oferece reosseointegração. Mas será que realmente precisamos dessa reosseointegração?

Ela ainda é muito difícil de ser obtida e comprovada. A comprovação total só se dá por métodos histológicos difíceis de quantificar e realizar clinicamente. A maneira clínica que usamos para comprovar se realmente ocorreu uma reosseointegração são as radiografias periapicais pós-operatórias e a ausência de sinais clínicos de inflamação. Porém, uma radiografia só pode mostrar que houve aumento na quantidade óssea ao redor dos implantes, mas não prova que esse osso está em íntimo contato com a superfície desse implante e novamente integrada a ele.

Assim, devemos ter em mente que o principal objetivo do tratamento da peri-implantite é a descontaminação da área e a interrupção da perda óssea progressiva. A ausência dos sinais clínicos de inflamação (profundidade de sondagem aumentada e sangramento e/ou supuração a sondagem) e a parada da perda óssea irão nos oferecer uma conclusão clínica de que o tratamento deu certo e o implante não precisa ser removido.

A remoção do processo infeccioso pode possibilitar a formação de um tecido conjuntivo fibroso sobre estas roscas. Este tecido irá promover um selamento biológico, evitando o progresso da peri-implantite e restabelecendo a saúde dos tecidos duros e moles. Com isso, teremos a manutenção do implante em boca, mesmo que uma porção do osso peri-implantar tenha sido perdida. Para que isso ocorra, não há necessidade de reosseointegração, embora ela seja muito bem-vinda.

fonte: INPN, escrita por Marco Bianchini
imagem retirada de http://www.inpn.com.br/Materia/SextaBianchini/132154