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Reconstrutor de sorrisos

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Reconstrutor de sorrisos

Fernando Almas, representante da ABO no Conselho Nacional de Saúde (CNS), é cirurgião-dentista especializado em cirurgia bucomaxilofacial. Ele descobriu que é possível fazer a diferença no mundo por meio de seu conhecimento e habilidades. Depois de formado, viu na necessidade de pacientes com deformidades faciais seu caminho para ajudar a melhorar a vida das pessoas proporcionando o direito básico de sorrir, a começar pela comunidade onde vive. Hoje atende em diversos países e busca habilitar outras pessoas para que o trabalho tenha continuidade.

A vontade de ajudar surgiu cedo. De origem humilde, o Dr. Almas conquistou a oportunidade de estudar odontologia e decidiu que retribuiria à sociedade de alguma forma. Então, junto de colegas que compartilhavam desse desejo, começou a Reface (Associação de Combate às Deformidades Faciais), uma organização sem fins lucrativos e que proporciona tratamento completamente gratuito, no estado de Goiás. Além de contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas, este trabalho tornou-se uma grande escola para os envolvidos.

Na época, em 2011, a fila de espera para cirurgia labiopalatina era grande demais pra os poucos recursos do Sistema Único de Saúde de Goiânia (GO). “Eram cerca de 500 pessoas esperando sem perspectiva de atendimento, então resolvemos ajudar”, diz o cirurgião. Ele conta que além do problema da fila o atendimento fornecido contemplava apenas a cirurgia, deixando a reabilitação de lado.

A Reface começou com cinco pacientes, o que rapidamente se multiplicou. Segundo o Dr. Almas, depois de um ano não havia mais ninguém à espera de atendimento em Goiás. “Desde então, trabalhamos na associação com a tranquilidade de que o paciente já está sendo tratado mesmo que aguarde cirurgia”, diz. O objetivo da Reface é trazer o paciente de volta para a sociedade da maneira mais humana possível. Por isso, o tratamento cuida do paciente até que ele esteja restabelecido completamente. Em 2014, o projeto ganhou o Prêmio Saúde, da Editora Abril, na categoria Saúde Bucal.

O custo do tratamento completo em casos de deformidade labiopalatina é alto. Hoje alcança a faixa dos 25 mil dólares, segundo o cirurgião. Obviamente, não é acessível para a grande maioria da população. Para arcar com este custo, a Reface conta com doações diversas, inclusive de ONGs internacionais que fomentam o projeto a cada cirurgia realizada. Porém, ainda não há repasse de verba pelo sistema público. “Como ‘resolvemos’ o problema da fila em Goiás, o sistema entendeu que não precisamos de ajuda e isto não é verdade”, afirma.

De Goiânia para o mundo
Com a demanda controlada em sua comunidade, a Reface se expandiu. Chegou a regiões do Brasil onde os recursos são mais escassos, como norte e nordeste, até alcançar outros 12 países. Entre eles Peru, Equador, Guatemala, Líbano, Indonésia e Nicarágua.

O trabalho no exterior aconteceu por meio de uma ONG que, inicialmente, gerou parceria institucional. Logo a cooperação tornou-se técnica e a equipe da Reface passou a dar atendimento completo e treinar pessoas para continuarem o trabalho no local. “Acreditamos que só tratar o paciente e ir embora não é o ideal, então treinamos pessoas e levamos equipamentos odontológicos para estes lugares”, conta.

Para o Dr. Fernando Almas, os frutos deste trabalho só foram possíveis porque ele foi realizado com o coração. Hoje, proporcionar aos pacientes uma vida mais digna é mais do que uma paixão. “É uma obsessão, pois vivo uma luta diária para trazer o melhor para cada paciente, e já não sei mais viver sem isso.”

fonte: Associação Brasileira de Odontologia
imagem retirada de http://www.abo.org.br/site/#/noticias/2015/10/reconstrutor-de-sorrisos