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Periodontite crônica: causas e identificação

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Periodontite crônica: causas e identificação

Generalizando, todos nós sabemos que uma periodontite pode ser definida como a inflamação do periodonto de proteção e de inserção, com a perda de osso alveolar, de ligamento periodontal e de cemento. Clinicamente, observa-se sangramento gengival e profundidade de sondagem igual ou superior a 4 mm. Pode-se verificar aumento da mobilidade dental, supuração e recessão gengival. Embora esse conceito seja bastante amplo, torna-se necessário entender que existem vários tipos de doenças periodontais. Dentre essas, destaca-se a periodontite crônica, que tem incidência bastante comum nos nossos consultórios.

O agente etiológico primário da periodontite crônica é uma infecção bacteriana. Todavia, os sinais clínicos são resultantes tanto da agressão da microbiota quanto da resposta do hospedeiro frente a esta agressão. Mesmo assim, parece ser de consenso, que a quantidade de placa de uma periodontite crônica geralmente é intensa, com destruição tecidual não tão grande, o que caracteriza certa resistência do hospedeiro e uma inespecificidade bacteriana.

Os achados histológicos incluem migração do epitélio juncional apicalmente à junção cemento-esmalte, presença de bolsa periodontal, perda das fibras colágenas subjacentes ao epitélio da bolsa, aumento do número de leucócitos polimorfonucleares no epitélio da bolsa e no epitélio juncional, infiltrado de células inflamatórias, de linfócitos e de macrófagos.

A periodontite crônica caracteriza-se por perda lenta e/ou moderada de osso alveolar, predominantemente no sentido horizontal. Os fatores etiológicos mais importantes incluem fatores locais retentores de placa, como cálculo supra e subgengival. Todavia, alguns fatores sistêmicos e hábitos podem aumentar a severidade da doença, como HIV, diabetes e fumo. Embora a periodontite crônica seja a forma mais comum de periodontite nos adultos, também pode ocorrer em crianças, podendo acometer a primeira e segunda dentição.

A periodontite crônica pode ser classificada quanto à extensão e à severidade. A extensão baseia-se no número de sítios envolvidos, e pode ser dividida em localizada e generalizada. Localizada refere-se à periodontite que acomete até 30% dos sítios e generalizada, mais de 30%. A severidade relaciona-se à perda clínica de inserção. É dividida em leve (perda de 1-2 mm), moderada (perda de 3-4 mm) e severa (perda igual ou maior a 5 mm). As Figuras 1 a 3 demonstram um caso de periodontite crônica.

O tratamento desse tipo de doença periodontal consiste na remoção e no controle do biofilme e eliminação de fatores que aumentam o acúmulo de placa, como próteses e restaurações mal adaptadas, que dificultam a higiene por parte dos pacientes. A manutenção periódica desses pacientes evita a recidiva e aumenta o prognóstico dos dentes envolvidos. Resumidamente, podemos constatar que a terapia não cirúrgica (raspagem, alisamento coronorradicular e profilaxias) é a chave de sucesso para se tratar uma periodontite crônica.

Embora pareça ser um tópico muito acadêmico, a identificação desse tipo de doença periodontal nos nossos consultórios pode evitar a perda de dentes precocemente. Além disso, o tratamento correto da periodontite crônica certamente irá prevenir futuros problemas peri-implantares em pacientes que venham a receber implantes dentários, haja vista que um dos fatores de risco para se desenvolver uma peri-implantite é a periodontite prévia.

fonte: INPN, escrita por Marco Bianchini
imagem retirada de http://www.inpn.com.br/Materia/SextaBianchini/132223