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Periodontite agressiva: um risco para futuros implantes?

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Periodontite agressiva: um risco para futuros implantes?

Pacientes que desenvolveram algum tipo de periodontite, previamente à colocação de implantes, são considerados de risco para o desenvolvimento de peri-implantite. Esse conceito está amplamente aceito na literatura atual e foi confirmado em outubro deste ano, no congresso da Academia Europeia de Osseointegração (EAO – 2015). O problema é que muitos pacientes que aparecem nos nossos consultórios perderam os dentes por doenças periodontais. Então, como fazer?

A forma mais violenta de doença periodontal é conhecida como periodontite agressiva. O próprio nome já responde pelo conceito desse tipo de manifestação periodontal. Esse nome ficou mais conhecido na classificação das doenças periodontais, feita em 1999 e que ainda está sendo utilizada nos dias atuais.

A periodontite agressiva apresenta características semelhantes às da forma crônica, exceto pela rápida perda de inserção e destruição óssea, presença de placa e fatores retentivos incompatíveis com a severidade da doença, e agregação familiar dos indivíduos doentes, ou seja: temos pouca quantidade de placa e um nível acentuado de destruição dos tecidos periodontais.

Da mesma forma que a periodontite crônica, a forma agressiva pode apresentar-se localizada ou generalizada. A periodontite agressiva localizada, geralmente, acomete os primeiros molares e os incisivos permanentes. Esta patologia está, na maioria dos casos, relacionada ao Actinobacillus actinomycetemcomitans e anormalidades na função de neutrófilos. Outro fator encontrado nesta forma de periodontite é um elevado número de anticorpos, em resposta a agentes infecciosos.

Frequentemente, a forma agressiva generalizada acomete indivíduos com menos de 30 anos de idade, todavia, pessoas mais velhas também podem ter esse problema. Diferentemente da forma localizada, são observados níveis baixos de anticorpos em resposta a agentes infecciosos. A perda de inserção está frequentemente relacionada à presença de Actinobacillus actinomycetemcomitans e Porphyromonas gingivalis, e alterações na função de neutrófilos.

Falando em uma linguagem bem clínica, a periodontite agressiva, na maioria dos casos, é aquela em que um paciente apresenta bom controle de biofilme, gengiva aparentemente saudável, mas com grandes perdas ósseas. São aqueles casos em que um profissional descuidado, que não costuma utilizar a sonda periodontal, faz um exame clínico despretensioso e diz ao paciente que está tudo bem, mas quando olha as radiografias, se assusta com as perdas ósseas.

Muitas pesquisas têm sido desenvolvidas, procurando alternativas de tratamentos para esse tipo de doença periodontal. Apesar de sabermos da especificidade bacteriana e da suscetibilidade do hospedeiro nessas situações, ainda não existe um método comprovadamente eficaz para parar esse processo. Culturas de bactérias, expressão genética, medicamentos e fatores nutricionais têm sido pesquisados, mas sem uma resposta que tenha total aplicabilidade clínica. Dessa forma, o controle da placa através da raspagem ainda é o tratamento de escolha. Mesmo com pouco biofilme, estudos têm comprovado que a evolução da periodontite agressiva diminui com o controle rígido da placa.

Em se tratando de risco à peri-implantite, esse controle de biofilme deve ser ainda mais rígido nos pacientes que tiveram perda de dentes por periodontite agressiva e receberam implantes. A manutenção periódica desses indivíduos, com terapias de controle, evita o aparecimento precoce de perdas peri-implantares.

Não há saída para nós, implantodontistas, quando nos deparamos com pacientes que perderam os dentes por doença periodontal. Não temos como negar implantes para pacientes que têm esse tipo de risco. O que vamos oferecer a eles? Dentaduras? É preciso esclarecer bem ao cliente sobre os riscos que ele corre e, após a colocação dos implantes, não perder esses pacientes de vista, fazendo controles rígidos de biofilme.

fonte: INPN, escrita por Marco Bianchini
imagem retirada de http://www.inpn.com.br/Materia/SextaBianchini/132248