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“Descobri o câncer na cadeira do dentista”

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“Descobri o câncer na cadeira do dentista”

Quando se vai ao dentista, normalmente espera-se como diagnóstico uma cárie, canal, tártaro. Mas com Faize Arap, 80, a consulta teve um resultado diferente. Tudo começou quando a senhora sentia algo estranho na boca, passava a língua no lábio superior e havia umas bolinhas que, de vez em quando estavam grandes, depois pequenas, e se movimentavam.

“Conversei com a minha sobrinha que é dentista e ela disse que provavelmente era uma glândula salivar entupida, mas se estava incomodando era melhor tirar”, conta. Foi quando o cirurgião-dentista, Luís Marcelo Sêneda, da clínica SM Oral Care, fez a retirada das bolinhas e preferiu fazer uma análise. “E, para o espanto de todos, era um câncer de glândula salivar, um adenocarcinoma, como me explicaram”, diz Dona Faize.

Ela foi encaminhada a um médico de cabeça e pescoço que pediu todos os exames, e marcou a cirurgia para retirar um pedaço maior dessa região e ver se não havia mais células malignas. Hoje, ela faz acompanhamento com o cirurgião de cabeça e pescoço e o dentista. “O fato de ter tido o diagnóstico do câncer precocemente, me ajudou bastante a não ter que passar por quimio ou radioterapia. O dentista me ajudou muito, pois se não tivesse retirado as bolinhas, não teria descoberto há tempo de ter um tratamento de câncer tranquilo”, avalia.

Luís Marcelo Sêneda, profissional que acompanhou a Dona Fazie, explica que ao se tratar de prevenção e diagnóstico precoce, o cirurgião-dentista tem papel fundamental, já que o paciente vai com mais frequência a uma consulta odontológica do que a uma consulta médica. “Como o importante é prevenir, consultas regulares ao cirurgião-dentista podem ter um peso fundamental, pois, diagnósticos precoces podem significar maior índice de cura”. Segundo o dentista Fábio de Abreu Alves, diretor de Estomatologia do A.C.Camargo Cancer Center, na fase inicial, a chance de cura é acima de 80%, já em fase avançada cai para 40-50%.

E não é só o câncer de boca que pode ser identificado na cadeira do dentista. Existem alguns cânceres que, em fase avançada, de metástase, começam a se manifestar também na boca, como o câncer de mama. Nesses casos é possível identificar nódulos, feridas e lesões ósseas na boca (mandíbula e maxila). “Mas eu não diria que esse tipo de câncer seria descoberto em uma cadeira de dentista, porque, como eu disse, os sinais do câncer de mama só chegam até a boca quando a doença já está extremamente avançada, ou seja, certamente nesse grau, a pessoa já sabe que tem o câncer”, diz.

De olho em feridas com mais de 15 dias
Geralmente, os sintomas relatados por pessoas que têm câncer de boca costumam ser de ardência, dormência e desconforto bucal. Em casos muito avançado, uma dor forte em toda a boca. Já os sinais detectados pelo dentista são placas esbranquiçadas, áreas avermelhadas e feridas e úlceras que não cicatrizam a mais de 15 dias.

“Mas é importante ressaltar a importância de se manter uma autoanalise e as visitas periódicas ao dentista, que devem ser feitas a cada seis meses, porque muitas vezes o câncer de boca não apresenta sintoma e até o paciente perceber que tem algo errado, pode demorar muito e comprometer a cura da doença”, diz Fábio.

Para o oncologista Ricardo Caponero, da CLINONCO, o ideal é fazer esse autoexame mensalmente, além de prevenir a doença com mudança de hábitos. “A melhor forma de prevenir o câncer de boca é mantendo uma boa saúde bucal e evitando álcool, tabaco e a contaminação pelo HPV (Papiloma Vírus Humano)”, diz.

fonte: Terra
imagem: patrisyu / Shutterstock