Consumo de café como indicador de risco para perda dentária

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Um estudo na Coreia do Sul avaliou a relação entre o consumo de café e o número de dentes perdidos. A hipótese era de que o aumento da ingestão de café aumentaria a prevalência de perda dentária entre adultos no país. E os dados obtidos confirmaram a hipótese.

In-Seok Song e seus colaboradores, autores do trabalho, ressaltam que o consumo de café tem sido associado a prevenção de várias doenças. Um estudo prospectivo nos Estados Unidos revelou que a ingestão de café estava associada a menor mortalidade devido a doença cardiovascular, doenças crônicas respiratórias, pneumonia e gripe, e auto-agressão, porém não câncer.

Ressaltam que a perda dentária é causada principalmente por cárie, doença periodontal e trauma. A falta de dentes na boca pode levar a reduzida ingestão nutricional, ocasionando fraqueza geral. Sendo esta ligada a diversos problemas médicos incluindo limitações físicas e deficiência cognitiva.

Como, porém, o café entraria nessa equação de forma prejudicial à manutenção dos dentes na cavidade oral?

O trabalho foi realizado coletando informações da Pesquisa de Avaliação Nacional de Saúde e Nutrição da Coreia. Um estudo transversal de amplitude nacional supervisionado pelo Ministério da Saúde e do Bem-Estar da Coreia do Sul que avaliou os dados de 7,299 pessoas. Foram avaliadas características sociodemográficas, estilo de vida, medidas antropométricas, análises bioquímicas, descritores para síndrome metabólica, o número de dentes remanescentes e hábitos de saúde bucal.

Os pesquisadores encontraram prevalência 69% maior de pessoas com 20 ou menos dentes na boca entre aqueles que consumiam café diariamente do que entre aqueles que consumiam apenas uma vez ao mês.

Há um porém. A maioria dos coreanos consumidores habituais de café utilizam café instantâneo misturado com AÇÚCAR e pó para preparo cremoso (powdered creamer), que também contém açúcar. Aí entra o verdadeiro vilão, como nós sabemos. A frequência alta de consumo de café vem geralmente acompanhada de uma boa dose desse carboidrato entre os coreanos. O açúcar adicionado ao café propicia a formação de placa dental e consequentemente cárie e doenças periodontais.

Inclusive o estudo encontrou que consumidores de café instantâneo tinham um elevado risco de síndrome metabólica e seus componentes, incluindo obesidade, obesidade abdominal e baixo teor de HDL (o colesterol bom). Os autores lembram que outros estudos já haviam reportado que o consumo de café instantâneo com grandes quantidades de açúcar pode aumentar o risco de síndrome metabólica, que também é associada à perda de dentes.

Quando é levado em consideração o consumo de café preto (puro) a coisa muda um pouco. Os autores encontraram um índice de cárie de 2,9 entre indivíduos que bebem café puro e 5,5 entre indivíduos que bebem café com aditivos. Outros estudos já haviam encontrado que o risco de cárie aumenta em pessoas com hábito de tomar café com aditivos enquanto o consumo de café puro parece ter efeito preventivo sobre a formação de cáries.

A conclusão do estudo dos coreanos é clara: “Consumo diário de café é associado com perda dentária em coreanos adultos”. A questão é: os resultados teriam sido os mesmos se as pessoas não tivessem o hábito de adicionar açúcar à bebida? Provavelmente não.

Fonte: Odontologia Nossa de Cada Dia. Disponível em: http://odontologianossadecadadia.com/consumo-de-cafe-como-indicador-de-risco-para-perda-dentaria/. Acesso em: 07/03/2019.