Condicionamento ácido da dentina pode se tornar coisa do passado?

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Buonocore quando propôs em 1955 o condicionamento ácido do dente para aumentar a adesão de materiais restauradores se referia ao esmalte tão somente. A aplicação de ácido fosfórico em dentina só foi aceita posteriormente e apenas em 1984, com o estudo de Nakabayashi , pôde-se entender a formação da camada híbrida, que era responsável por criar adesão a um substrato tão peculiar como a dentina. Desde então as faculdades de Odontologia ao redor do mundo preconizam o condicionamento ácido total como protocolo a seguir em restaurações de resina composta. Acontece que esse protocolo de confecção da camada híbrida com utilização ácido fosfórico sobre a dentina pode estar com os dias contados. Vejamos por que:

Desde o descobrimento da formação da camada híbrida que se sabe que esse é um passo bastante crítico na técnica restauradora. Ao contrário do esmalte, a dentina deve permanecer ligeiramente úmida para não haver colapso da rede de fibras de colágeno, permitindo o embricamento do adesivo ao substrato dental. Também não pode haver excesso de água nesse passo, por risco do adesivo não penetrar adequadamente na dentina. O tempo de condicionamento também não pode ser excessivo e deve ser menor que o de esmalte. O operador deve ter cautela ao usar os diferentes tipos de adesivo que, de acordo o solvente utilizado, podem requerer mudanças na técnica operatória.

Todos esses fatores tornam o condicionamento ácido da dentina uma etapa extremamente sensível à técnica e consequentemente passível de erros. Com a evolução dos sistemas adesivos chegou-se a formulações que dispensam o uso de ataque ácido prévio: os adesivos auto-condicionantes. Posteriormente surgiram os chamados adesivos universais, em frasco único, que também não requerem ataque ácido. Dessa forma a adesão à dentina ficou mais previsível, já que os fatores que poderiam introduzir erros na técnica (tempo de condicionamento ácido, umidade, secagem excessiva) foram contornados.

Nesse estudo de revisão de literatura os autores concluíram que adesão é aumentada quando se utilizam adesivos universais e se realiza condicionamento prévio com ácido fosfórico apenas em esmalte. O chamado condicionamento seletivo de esmalte. Nesse caso, a dentina seria condicionada apenas pelo adesivo e o esmalte pelo ácido fosfórico aplicado anteriormente.

Estamos diante de mais uma quebra de paradigma? Condicionamento ácido da dentina será coisa do passado? O tempo dirá.

Fonte: Odontologia Nossa de Cada Dia. Disponível em: http://odontologianossadecadadia.com/condicionamento-acido-da-dentina-pode-se-tornar-coisa-do-passado/. Acesso em: 20/03/2019.