Cobrança de consulta valoriza o trabalho do Cirurgião-Dentista

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Cirurgiões-dentistas afirmam que cobrar a consulta é uma prática correta, justa e saudável para a profissão. O próprop Código de Ética de Odontologia aprovado pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) prevê que divulgar ou oferecer consultas e diagnósticos gratuitos ou sem compromisso constitui infração ética. Entretanto, o dia a dia revela que nem sempre a consulta é cobrada do paciente.

Segundo a Dra. Claudia de Oliveira Lima Coelho, diretora da Faculdade de Odontologia da Unoeste, o cirurgião-dentista deve cobrar consulta. Inclusive ela recomenda essa prática a seus alunos. “O paciente (quando vai ao dentista) não está em uma loja, fazendo uma pesquisa de preços”, afirma.

Ela explica que o profissional faz um exame clínico e, algumas vezes, um procedimento, como uma radiografia, para checar a condição bucal e fazer um diagnóstico. “O cirurgião-dentista utiliza seu conhecimento para chegar a um plano de tratamento”, acrescenta a diretora. O odontopediatra Dr. Gabriel Tilli Politano, proprietário de uma clínica em Campinas (Estado de São Paulo) e professor de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic, também concorda com a cobrança de consulta e diz que ele mesmo pratica isso. A consulta, segundo ele, é um momento que demanda muita responsabilidade do profissional. “É um tempo em que fazemos avaliações e orientamos o paciente, usando o nosso conhecimento”, afirma.

No caso específico da área em que atua, atendendo a crianças e bebês, Dr. Politano ressalta que não é toda consulta que gera tratamento – o que acontece em maior escala com o público adulto. Esse tempo de dedicação para orientar a criança e os pais dela, de acordo com o odontopediatra, é um trabalho técnico e especializado e deve ser incluído na conta como honorário. “Ninguém vai ao médico receber orientações por 45 minutos de graça”, exemplifica o cirurgião-dentista, comparando a consulta odontológica com a consulta médica.

Realidade Diferente

Mas não é todo dentista que cobra cnsulta. Apesar de não conhecer um estudo ou pesquisa sobre o tema e considerar-se a favor da cobrança, o Odontogeriatra Rafael Alves Ferrari, dono de duas clínicas em São Paulo, uma na Capital e outra em Osasco, afirma que a maioria dos cirurgiões-dentistas, inclusive ele, não cobra. “Se eu cobrar acabo perdendo cliente”, diz. A explicação baseia-se no público alvo. “Atendo, em Osasco, pacientes da classe média, casses C e D, que não estão acostumados a pagar consulta de dentista”, conta. A percepção desse panorama, segundo o Dr. Ferrari, é importante porque pode gerar a captação ou a perda de clientes, “pois as pessoas estão buscando as opções mais econômicas”.

O odontogeriatra não cobra a consulta, mas diz que cobra o planejamento. “Com a réplica da boca feita a partir da moldagem e com as radiografias consigo traçar caminhos que o paciente tem para seguir, como os que levam menos tempo de tratamento e são mais econômicos”, diz. Alguns cirurgiões-dentistas acabam incluindo o valor de consulta dentro do valor do planejamento ou no tratamento. Outros cobram a consulta, mas depois descontam o valor do total do tratamento. Isso, segundo fontes ouvidas pelo Jornal da Associação Brasileira de Odontologia, acontece principalmente nos casos em que o tratamento tem um valor muito alto, tem um período longo e contínuo ou se trata de um cliente já fidelizado.

Mudança Cultural

De acordo com o Dr. Henrique Smanio, coordenador do curso de Impantodontia da Faculdade São Leopoldo Mandic, a consulta é uma maneira de valorizar o trabalho do cirurgião-dentista, mas a forma de administrar esse valor durante o tratamento pode varias. O que não pode acontecer, ressalta ao professor, é “banalizar a consulta”. Ele mesmo cobra consulta em sua clínica, localizada na mesma cidade em que leciona. “A gente tem de parar de pensar que vende material odontológico, a gente vende conhecimento”, conclui. Para melhorar essa questão de uma forma geral o ideal seria que todos os cirurgiões-dentistas começasse a cobrar consulta e, a partir disso, mudassem a cultura desse segmento. O coordenador do curso de Odontologia da Universidade Nove de Julho (Uninove), Dr. André Tortamano, concorda. “Ainda que o mercado, às vezes, force (o profissional) a ser mais agressivo e não cobrar, o ideal é cobrá-la, pois existe o custo da consulta”, diz. Quanto mais clara a cobrança for para o paciente, melhor será para fortalecer essa “cultura”, de acordo com o professor. Isso evitará, segundo ele, que o dentista tenha de usar a “não cobrança” de consulta como diferencial competitivo e que os pacientes visualizem a consulta apenas como orçamento.

Fonte: O Dentista Acadêmico. Disponível em: http://www.odentistaacademico.com.br/2016/08/cobranca-de-consulta-valoriza-o.html. Acesso em: 08/02/2019.